A ESPERA

Márcia Lupia

Márcia Lupia

Quinze horas. O barulho dos ponteiros do relógio de pêndulo misturava-se aos batimentos do coração de Rosina. Pupilas dilatadas, olhar perdido em direção ao horizonte. As mãos suadas apoiadas no parapeito da janela da sala. Era de lá, sentada em uma banqueta feita de palha, que há mais de cinco semanas, naquele sagrado horário, a moça esperava aflita a visita do carteiro. Jamais ficara tanto tempo sem receber notícias de sua família que vivia na Itália. Repentinamente, uma sombra cobriu a caixa de correio. O ruído agudo da tampa de ferro penetrou por seus ouvidos, percorrendo por seu sangue, esvaziando-se em sua pele fria e cansada. Um dos envelopes deixados, desta vez, trazia a missiva que tanto aguardava. Ainda na frente de sua casa, abriu cuidadosamente o envelope. Os olhos percorriam as letras, as mãos trêmulas deixaram a carta cair no chão. Um longo suspiro.