SOBRE A MULHER
Neide Lopes Ciarlariello
8 de março de 2021.
Meu pensamento foi buscar na história, num breve apanhado, a situação da mulher no mundo.
Não vou relembrar o massacre das 146 mulheres que reivindicavam melhores condições de trabalho e que foram mortas pelo dono da empresa.
Também não vou relembrar que somente no ano 440, doze anos após a Lei Poetelia Papira, a tutela das mulheres romanas foi abolida.
Viajo rápido para o século XXI e agora temos mulheres em todos os escalões: mulher ministra, mulher governadora, mulher deputada, vereadora, mulher juíza, mulher médica, mulher dentista, mulher engenheira, mulher economista, mulher catedrática, mulher motorista, etc.
Mas tenho meus questionamentos:
Observem que ao conquistar coisas do mundo masculino, somos aplaudidas e admiradas. As conquistas do mundo feminino não recebem tantos aplausos na nossa sociedade, porque essa conquista é socialmente desvalorizada. Estamos impregnadas dessa cultura secular e reproduzimos a ideologia machista, porque a sociedade nos frustrou através de imposições sociais e valores limitados que designam o que é masculino e o que é feminino.
Nos ensinaram a usar a máscara do sexo que dita regras de comportamento consideradas apropriadas para homens e mulheres.
Isto gerou contradições, medos e problemas nocivos, totalmente desnecessários… e deixou marcas.
Temos ainda a questão do poder que ainda é muito complicado porque temos que exercê-lo da mesma maneira que os homens, e isso ainda não está bem resolvido para nós.
Minha geração é uma “geração experimental”, vivemos uma juventude que mudou comportamentos e conceitos, e, agora vamos viver a outra metade da nossa vida mudando tudo de novo.
Inauguramos um novo visual da meia-idade, eu, particularmente assumi um compromisso de começar bem minha caminhada na segunda metade da minha vida e quero que vocês assumam comigo esse compromisso, porque não podemos começar mal uma estrada tão longa e tão importante. Não podemos nos alienar mental nem fisicamente.
Nós completamos os 40 anos sem sentir nada de diferente, porque aos 40 estamos plenas; a tal diferença vem se manifestar aos 60 ou 70.
É a mudança física que marca a crise. É quando percebemos que não há escudo nem disfarce – somos o retrato da vida que vivemos até então.
Temos rugas, que bom! – é a marca das emoções. Risos e lágrimas.
Nossos seios estão flácidos, que bom! – amamentamos nossos filhos e acalentamos nossos amores.
Dos 50 anos em diante, nosso rosto conta nossa história, mas a vida nos permite ainda muito engajamento, muita oportunidade de crescer enquanto pessoas que servem à sociedade; muito amor para dar e receber e muitas oportunidades de desenvolvimento e atualização.
Eu vou agora dizer para vocês quem eu sou:
Eu sou a mãe dos meus filhos
Sou filha da minha mãe
Sou neta dos meus avós
E sou avó de meus netos.
Sou tia dos meus sobrinhos
Madrinha dos afilhados,
Sou irmã dos meus irmãos
E sobrinha dos meus tios.
Eu sou órfã de meu pai
Sou cunhada dos cunhados
Comadre dos meus compadres
Sou amiga dos amigos.
Sou aluna dos meus mestres
E mestra dos meus alunos.
Sou esposa do marido
Sou razão e coração
Sou frágil e sou forte
Sou vitória e sou derrota
Sou orgulhosamente mulher!
Neide Lopes Ciarlariello
(Sabichi)