Márcia Lupia

Márcia Lupia

Em pleno período de isolamento social,

o grupo de risco adotou postura radical.

“Entre logo, Sr. João!

Fique na rua não!”

Agora respira por aparelhos no hospital.  

***

Estava com fome, por isso abriu a geladeira.

Olhou, mas nada encontrou mesmo cheia.

Na cadeira sentou

e o telefone pegou.

Pediu um lanche por aplicativo para a sua ceia.

***

O garoto esperava ansioso por um chocolate.

Desembrulhou o presente no papel escarlate.

Se assustou,

e chorou.

Seu avô havia lhe dado um ovo de verdade!

***

E a mãe atarefada ouve gritos e um chororô.

Deixa a panela no fogão e vai até o corredor.

Quando ela viu,

discretamente riu:

Um rocambole de criança feito de cobertor!

***

A mãe estupefata perguntou no atropelo: 

“Isabela, o que é isso no seu cabelo?”

“Mamãe, é farinha!

Escondo com a tiarinha.”

Com o adereço, a menina correu para o espelho. 

***

Trim-trim-trim. Trim-trim-trim. O interfone tocou.

O homem atendeu e soube que seu vinho chegou.

De pronto desceu,

alegre o recebeu.

Mas a sacola pesada arrebentou e sua garrafa espatifou.

***

 

O beija-flor pousou sua beleza numa grande margarida.

Com seu bico esfomeado começou a encher sua barriga.

Tanto pólen sugava,

que a face sujava.

Comeu tanto e tão rapidamente que teve dor de estômago e azia.

***

A mulher abriu a janela e se ajeitou para a paisagem contemplar…

O dia ensolarado: uma mãe estava com seu filho na rua a caminhar.

Estava distraída,

Tomando uma brisa…

Sentiu o braço quente! Um passarinho danado tinha acabado de sujar!

***

Acordo e ouço um som no meio da madrugada.

Abro a janela e vejo a vizinha recebendo uma serenata.

A canção acabou

e o moço se ajoelhou…

A mulher abriu a janela e deu-lhe uma bela de uma ovada!

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O soldado Mendes fazia a guarda noturna no quartel.

Estava com frio e para aquecer bebia pinga com mel.

O copo da mão escapou

e no chão estilhaçou…

Seu braço na espingarda esbarrou: Pan! Disparou contra o céu!

***

Esta é a história mais famosa sobre rascunhos que posso contar.

Trata-se do magnífico Camões e sua escolha numa tempestade no mar.

A sua embarcação afundou…

Socorro! A amada gritou…

O poeta deixou a jovem morrer para o rascunho de “Os Lusíadas” salvar.

***

Era uma garotinha muito sapeca,

que aprontava de maneira esperta.

No chiqueirinho

fez um furinho…

Mas a fugitiva foi vista por D. Estela!

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Sempre fui a líder das brincadeiras com meu irmão.

Certa vez, pedi-lhe para escalar a estante da televisão.

“Ihhhh, vai cair!”

“Marcos, sai daí!”

Uma criança caída com uma TV esmagando-a no chão!

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Manoel reencontrou um amigo, cruzando-o numa calçada.

O homem estava com uma bela moça de mãos dadas.

“- Que bela rapariga!

– É tua filha a guria?”

“- Ora, pois, Manoel, esta é Maria, minha nova namorada”

***

Um homem apaixonado resolveu fazer uma surpresa:

um jantar à luz de velas com vinho e carne francesa.

“Ih, a carne queimou!

E o vinho congelou!”

O casal acabou comendo somente a sobremesa!

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A bela garota caminhava pomposa pelo calçadão da praia.

Desfilava sua beleza em um tamanco preto e uma minissaia.

De repente, o vento soprou…

Ihhh, a sua saia ele levou!!!

A garota envergonhada fugiu entre aplausos e vaias.