É PIQUE, É PIQUE!

Márcia Lupia

Márcia Lupia

Era primeiro de junho do ano de dois mil e vinte. Trigésima terceira primavera de uma vida repleta de saúde, sucesso, bons amigos e badalação. Na hora marcada, sobre a mesa, um bolo com cobertura de chocolate, uma vela e apenas um prato branco. De frente para o bolo, abriu seu laptop. Na tela, dez janelas retangulares com uma mistura de rostos de amigos e familiares. Apagou a luz, acendeu a vela. Ouviu um parabéns descompassado, distorcido e abafado: “é pique, é pique…” Soprou a chama que iluminava a vela. Acendeu a luz, cortou a primeira fatia do bolo. Não tinha a quem oferecê-la, ofereceu a si mesmo. Despediu-se, agradecendo a todos que compareceram à comemoração. Desligou o laptop, desligou sua festa de aniversário.