CICLO

Vania Clares

Vânia Clares

Esperei no morno

da placenta

um coração pulsante.

Esperei arrastando

o peso do dorso ereto

o alcance permitido.

Esperei o plantio

de uma base para seguir.

Esperei por trás do vidro

esgotar o medo

de romper desígnios.

Esperei brotar em mim

o que mais fizesse sentido.

Assisto em estado letárgico

os dias irem, como se houvesse

tempo e respostas.

Morro um pouco

diante da voragem dos cegos

e das notícias derrotistas.

Miraculosamente

ainda busco a terra adubada,

um oásis acolhedor

para as minhas virtudes.

Onde eu enterre

desencantos,

celebre os sonhos

e viva poesia.

Isso é esperança?