AVENTURA DE MEL
Isis San
Na mangueira mais doce do sítio de Dona Carminha tem a colmeia de abelhas que mais parece um castelo, com uma rainha mandona e muitos súditos.
Mel era uma abelhinha adolescente trabalhadora que fazia tudo com rebeldia, se a Rainha pedisse coloque mais mel, ela colocava menos.
̶ Quero todos trabalhando!
Mel ficava dançando disfarçadamente e ainda ficava bufando dizendo que um dia iria embora. Seu sonho era conhecer um jardim com todo tipo de flores, rosas e muitos cheiros.
Sua mãe logo dizia:
̶ Você vai crescer e podemos sair para conhecer o que você tanto deseja por que nem tudo que reluz é ouro. Lá fora também tem um mundo perigoso!
Mel colocava seus olhos para cima, abria e fechava a boca, levantava os ombros rapidamente, e nem ouvia a mãe, apenas repetia:
̶ Zum, zum, zum, tá, tá!
Repetia por diversas vezes, e ia diminuindo o som de sua voz.
Abaixava suas antenas, recolhia suas asas e chorava um choro melado de abelha!
̶ Zuim, ic, zuim, ic, zuim, ic, com intervalos de soluço.
Certo dia a rainha exigiu que todos trabalhassem duro, queria muito mel, porém a abelhinha fez ao contrário, enquanto todas as abelhas trabalhavam, ela fingia.
O enxame estava exausto de tanto trabalhar. Foram dormir, menos Mel que ficou acordada e aproveitou para sair voando …#partiu!
Voou, voou e voou. O sol estava se despedindo deixando um clima delicioso de final de tarde. Avistou tantas cores, árvore imensa, céu azulado com nuvens brancas feito algodão doce, borboletas livres, um lago imenso e animais pastando.
Tocava e cheirava tudo como uma abelha desesperada e curiosa. Nunca esteve tão feliz e livre!
Ouviu som de violino, piano e coral. Ficou curiosa e foi seguindo até chegar a uma cerimônia de casamento.
Nunca tinha visto algo tão lindo: flores, rosas, humanos, cheiros e música… Adentrou a igreja, e quis olhar tudo de perto.
Foi recebida com palmadas, xingamentos e foi expulsa.
̶ Como já se viu tanta má educação?
̶ Que violência gratuita!
A abelha seguiu em frente. Chegou ao salão de festa com muito mais flores. Aproximou desesperada porque já sentia fome.
Sugava e sugava e nada de néctar. Quando foi afastada por um convidado que disse:
̶ Abelhinha, são flores de plástico!
Voou, voou e foi ao bolo.
Novamente o simpático convidado lhe disse:
̶ Abelhinha, esse bolo é de plástico!
Abismada com que acabou de ouvir, pensava: como ficarão a polinização das flores e nós abelhas, bem-te-vis, borboletas?
Abaixou suas antenas, recolheu as suas asas e chorou um choro melado de abelha!
̶ Zuim, ic, zuim, ic, zuim, ic, com intervalos de soluço.
Mel se afastou devagarzinho, desiludida e logo pensou no ditado popular que sua mãe sempre dizia: “Nem tudo que reluz é ouro”!
Aproveitou para retornar a sua colmeia. Reencontrou a sua família preocupada com seu sumiço.
Pediu desculpas e começou a contar tudo o que aconteceu. A partir desse dia Mel aprendeu muitas lições e resolveu escrever essa história para compartilhar com suas amigas abelhas e zangões.